18/05/2020 às 13h05min - Atualizada em 18/05/2020 às 13h05min

Sabrina Santtos fala de sua vida

Renato Galvão
Divulgação
A modelo trans Sabrina Santtos, que por várias vezes já destacou sua beleza em nossas páginas, resolveu contar um pouco de sua história de vida, servindo de "vitrine" para muitas trans. 
 
"Sei que cada trans tem sua história de vida e eu resolvi contar a minha. Tem muita gente que me conhece como Sabrina Santtos, mas meu nome em meu registro é Elson Junior Rodrigues dos Santos e não tenho vergonha alguma em ter esse nome. Comecei a sentir atrações por meninos aos 10 anos de idade, mas tinha medo de me abrir e contar isso para minha família, especialmente para meu pai. Quando completei 15 anos, uma amiga chamada Rose, que é uma pessoa que eu posso contar até hoje, me ajudou a "abrir o jogo" com minha família, e eles não entenderam meu caso. Ocorreram muitas brigas, passei a morar com parentes e quando voltei novamente para minha casa, meu pai me expulsou de casa, pois não aceitava minha condição sexual. Porém, uma anja apareceu em minha vida, que é a Jaqueline, que precisava de uma pessoa que cuidasse da filha dela, e eu aceitei a oportunidade de trabalho. Depois trabalhei em algumas empresas e minha vida foi sendo conduzida e sempre com novos amigos, entre eles: Neia, Malu e Léo. Morei na casa do Léo e eles ainda me ajudaram a arrumar um novo emprego, em que atuei por quase cinco anos. Também fui acolhida pela Jô, em sua residência e entre novos amigos, surgiu o Xã, que é enfermeiro e me indicou para ser cuidadora de idosos. Trabalhei na casa de uma senhora por 06 anos e neste período conheci meu primeiro namorado, que me ajudou muito, mesmo a família dele não aceitando nossa relação, especialmente por eu ser trans. Sofri na escola e, mesmo assim nunca usei drogas ou roubei alguém. Ainda fiz o curso de cabeleireiro e consegui trabalho na área, e bem neste período minha mãe sofreu um AVC (acidente vascular cerebral), ficou em coma, e eu que morava em Jundiaí, fui para Campinas cuidar dela. Ela passou por cirurgias pós AVC e eu juntamente com minhas irmãs, ficávamos com mamãe no hospital. Meu pai já faleceu, mas ambos nos entendemos antes de sua partida, algo que me conforta demais. Eu destaco que minha mãe, que hoje está saudável, sempre foi contra minha expulsão de casa, e foi muito sofrimento para nós duas, ficarmos quase 10 anos distantes. Apesar dessas dificuldades, só tenho que agradecer pela minha vida e fico triste ao ver que muitas trans até com boas condições financeiras e que a família sempre apoiou, "se percam na vida", especialmente com drogas e espero que elas vejam meu desabafo, pois é também para todas elas que tanto amo", afirma emocionada Sabrina Santtos. 
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