30/05/2014 às 20h24min - Atualizada em 30/05/2014 às 20h24min

A pena

que faço eu agora?

Isabela Gomes

             Entre nós, meros mortais, têm-se o costume de sempre achar que a grama do vizinho é mais verde. Não se pode culpar. Queremos sempre mais e melhor.
            Pense na dona de casa por exemplo, que gosta de fazer bolos e tortas para os pimpolhos, ao se deparar com as crianças falando bem do bolo de outrem. Há de querer se matar! Ou de no mínimo procurar muitíssimas receitas novas e engordar os pequeninos com seus experimentos.
            Agora, pensa no escritor. Como há de se achar engraçado, inteligente, depois de experimentar Machado ? Como há de pensar que sabe fazer crítica camuflada de romance após se deparar com Eça ? Como ousará – sim, total ousadia - se achar revolucionário em suas obras depois que conhece Castro Alves, Gonçalvez Dias? A grama do vizinho é com certeza mais verde!
            Pensa! Sabe-se já que para criar é 1% de inspiração e 99% de transpiração. Como criar, quando já se fala de tudo? Como achar que sua literatura é boa se já conheceu os melhores? Pode até resultar em desistência! Mas o bom escritor ao rascunho torna.
            Por isso, perdoa se o escritor para um pouco de escrever. Está lendo o dos outros, buscando inspiração no cantar dos pássaros, aprendendo a nova ortografia – sendo destes, o terceiro o mais complicado! -. Perdoa-me se às vezes me afasto da pena... não faço por mal, juro. 

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