04/02/2014 às 11h45min - Atualizada em 04/02/2014 às 11h45min

Futebol, redes sociais e o beijo gay

Futebol, redes sociais e o beijo gay

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Na última semana teve fim a novela Amor à Vida e, em uma de suas últimas cenas, aconteceu o chamado “beijo gay”, tão comentado, antes, durante e depois de ter ocorrido.

Muitos comemoraram o que seria um avanço da mídia, notadamente a Globo, no tratamento aos homossexuais; alguns viram a cena como imoralidade e um passo na direção do “fim da família” e outros tantos, ainda que se digam sem preconceitos, permaneceram numa zona cinzenta, dizendo aprovar, mas fazendo algum tipo de piada, como se quisessem (ou precisassem?) reafirmar suas masculinidades.

A batalha de opiniões se deu mais claramente nas redes sociais, onde todos parecem estar prontos a defender seus pontos de vista. Houve (sempre há) os que criticaram até mesmo o fato de assistir a novela; possivelmente são os mesmos que criticam os que gostam de futebol, tentando atribuir a quem busca um desses tipos de diversão / distração a etiqueta da alienação. No mesmo raciocínio estaria implícita uma certa “superioridade moral” ou intelectual de quem não se deixa “levar” pelo “ópio do povo” ou pela “manipulação das mídias”. Fica claro que a intenção é boa, mas o discurso é raso, carecendo de qualquer tipo de substância que o mantenha em pé. Assim como é óbvio o direito de qualquer um gostar ou não de futebol, novelas, astrologia, aviões, ônibus, azeitonas, iogurtes, fundos de renda fixa… ou qualquer outra coisa, é simples e óbvio também que essas escolhas não tornam ninguém um alienado ou um inocente útil.

Voltando ao assunto central, mesmo correndo o risco de desagradar parte da audiência do Futebol-Arte, já nos manifestamos algumas vezes (com posição clara) sobre a questão da homofobia, como nos posts Você tem medo de quê? ou Homofobia em pleno século XXI? e Gaivotas da Fiel, a homofobia continua.

Nos dias anteriores ao beijo entre Félix e Niko, dois dos poucos personagens que se salvaram na tal novela, as redes sociais apresentavam a questão: “A família brasileira está preparada para ver uma heterossexual trair o marido, matar uma idosa, esfaquear o amante na cama e indefeso, promover golpes dos mais sórdidos, envenenar o marido, maltratar uma criança, mas… não está preparada para um beijo gay?”

Muitos lembraram então da comemoração entre Maradona e Caniggia, ambos então no Boca Jrs., na goleada por 4 x 1 no principal rival, o River Plate, em 1996.

Há uma clara distinção entre os beijos; o da novela ocorreu a partir do “amor romântico”, com a clara informação de que os personagens eram homossexuais, buscando “quebrar um tabu” e mostrar a normalidade da situação, enquanto o beijo dos craques argentinos trazia outro caráter, algo espontâneo, numa comemoração mais empolgada que o habitual, fruto talvez do bom resultado do jogo, sem nenhuma conotação sexual. Faz alguma diferença?

Assim, cabe repetir (sempre) a questão: você tem medo de quê? Por que a opção sexual dos outros incomoda tanto?

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