01/04/2013 às 18h13min - Atualizada em 01/04/2013 às 18h13min

Poder pra mim ou Gestão pro povo?

Prefeitar, legislar, governar, espírito público, não se fala mais disso.

Renato Dorgan

Descumprem-se planos de governo logo depois da posse, enchentes se repetem, saúde abandonada, infraestrutura adiada para o dia que sediarmos a terceira Copa do Mundo, etc.

O que se trata no meio político é sempre a articulação que levará à próxima eleição, a administração pública é relegada à um segundo plano, programas de fachada, projetos de marketing, enxuga-se o gelo, empurra-se a gestão pra frente.

Os Executivos ao menos se cercam, de poucos, cargos meritocráticos, figuras razoavelmente preparadas que fazem a máquina andar.

Por outro lado, é dramática a situação dos legisladores, que se demonstram cada vez mais despreparados e mal auxiliados. A maioria das assessorias são formadas a partir de arranjos eleitorais, que se baseiam na dimensão de alcance de votos do contratado.

Com o tempo, a ação do legislador começa a se desgastar, até que um dia se paralisa, pelo simples fato do cabo eleitoral se limitar a vender uma imagem oca, sem realizações e propostas, que recairá, após algumas eleições, no esquecimento do eleitor.

Salvo alguns parlamentares com mais bagagem intelectual e ética, a maioria cerca-se de pessoas despreparadas, que se balizam num termômetro da opinião pública básica e não nas mudanças necessárias para melhoria da sociedade (o que levaria naturalmente a um sucesso do parlamentar), preferem articulações à realizações, críticas à projetos, eventos à audiências públicas .

Tais assessorias, mesmo que em alguns casos bem intencionadas, por incapacidade de formulação, levam o parlamentar a tenebrosa ilusão da quantidade de votos, buscam maquiar isso, preparando cenários fictícios de aceitação popular, que não duram muito. As urnas serão cada vez mais cruéis com este tipo de atitude política.

A maneira de chegar e se manter neste posto de poder terá que ser secundária ante esta necessidade de evoluirmos como país, quem fizer isso aos olhos do eleitor será cada vez mais aceito, quem não o fizer, fará parte de uma história rapidamente esquecida.

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