24/02/2012 às 18h34min - Atualizada em 03/05/2012 às 18h34min

O Carnaval na Balança

Era prudente aguardar o desenrolar das festividades para, se necessário, aprofundar o assunto – carnaval.

Nando Pires

Diante dos lamentáveis acontecimentos na apuração dos votos das escolas de samba paulistanas, onde houve a invasão, agressão, extravio, subtração de documentos e, como se isso não bastasse, ainda assistimos o quebra-quebra promovido por torcedores inconseqüentes e também a destruição de patrimônio público e privado pelos mesmos, o Exmo. Prefeito da maior e mais importante cidade do país se pronunciou durante entrevista a uma emissora de televisão cobrando (com razão) punições exemplares da “Liga das Escolas de Samba” sobre os atores dessa “palhaçada”.

O “Sr. Gilberto Kassab” ainda salientou bem ao dizer que o carnaval se trata de uma festa da “cidade” de “São Paulo”, visto que há grande aporte de recursos públicos e quando mencionou se tratar de 23 milhões de reais, vi e memorizei bem que a repórter desacreditou e ele teve de repetir uma ou duas vezes.

Contudo, entretanto, todavia e no entanto; garanto que nesse montante não se encontram os prejuízos patrimonial e social que o incêndio das alegorias da atual vitoriosa escola “Mocidade Alegre” causaram em “seu barracão” situado sob o “Viaduto Pompéia”, o que comprometeu ainda mais o fatídico trânsito paulistano pelas semanas em que este esteve em reforma e, certamente acrescentou mais alguns milhões à conta da festa.

Se debaixo de viaduto não dá nem pra “sem teto” morar, porque seria uma opção plausível como barracão para escola de samba guardar materiais inflamáveis?

Em Araras observamos festividades que custaram aproximadamente 350 mil reais, sendo que cada escola de samba (apenas 3) recebeu repasse de cerca de 25 mil reais com insuficientes 3 semanas de antecedência das festividades para realizar a produção de todas as estruturas necessárias aos desfiles, como: fantasias, alegorias, aquisição de instrumentos e outras.

Como músico há muitos anos, posso afirmar categoricamente aos leitores que não se ensina música para ninguém em apenas 3 semanas e saliento que em entrevista realizada com diversos sambistas ararenses em emissora de rádio local, pude perceber que é vontade de muitos dar prosseguimento aos ensaios e educação musical para as crianças, adolescentes e também em resgatar a velha guarda do samba ararense que festeja por apenas 4 dias e assiste novela o restante do ano.

Para realizar esse projeto de “educação musical” e “socialização” através da iniciativa dos envolvidos com o carnaval, seria, em sua maior parte, necessária a sessão de espaços públicos para que suas “baterias” pudessem ensaiar e promover eventos para arrecadar receita adicional, tornando-se menos dependentes do poder público.

Então fica a pergunta: Porque restringir o uso de toda essa verba durante os 4 dias de carnaval, se ela poderia se propagar em ações sócio-culturais para o ano todo?

Vale lembrar que crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade, quando fora das ruas, praticando atividades educativas e recreativas saudáveis significam importante evolução no âmbito social, ao mesmo tempo que também podem “desafogar” um pouco os saturados índices sociais quanto à segurança pública e à saúde.

Quero manifestar claramente que não sou avesso a essa festa e, mais do que isso, vejo a euforia e alegria das pessoas que dela fazem parte, brincam e se divertem, mas sou muito partidário daquele antigo ditado que diz: “Não dê o peixe, ensine a pescar.”

E ainda mais, creio que essas experiências, tanto em São Paulo quanto em Araras, possam indicar melhores formas para se obter resultados mais profundos quanto aos valores investidos no Carnaval, sendo que para isso talvez seja preciso um pouco mais de reflexão e empenho.

Que todos tenhamos um ótimo e revigorante final de semana!

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