04/09/2012 às 17h49min - Atualizada em 04/09/2012 às 17h49min

O preço e o valor das coisas

Quando a gente é criança, logo associa, dia do aniversário com dia de ganhar presente.

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Como faço aniversário (hoje) no mesmo mês do meu único e querido irmão, para economizar, era comum que meus pais fizessem uma comemoração apenas, entre as duas datas. Conforme o dia do aniversário ia se aproximando, vinham as perguntas sobre o que gostaríamos de ganhar. Imediata e invariavelmente eu pedia uma bola, que usaria a partir do exato segundo que a ganhasse até que ela se desintegrasse pelo tempo ou fosse furada por algum vizinho rancoroso com os chutes do nosso time da rua. Meu irmão, tinha pedidos mais variados; já antecipando seu gosto mais “refinado”.

Em uma dessas vezes, diante de tal pergunta, novamente pedi uma bola e o Claudio, meu irmão, pediu algo um tanto mais caro. Não me lembro o que era exatamente; talvez fosse um pequeno computador ou um Atári (vídeo-game da época). Na mesma hora, meu pai ponderou que não lhe parecia justo dar para um dos filhos um presente que custasse, por exemplo, R$ 50,00 e para o outro algo que custava cinco ou seis vezes mais… e me pediu pra rever minha escolha. Diante daquela situação, sem saber o preço, mas sabendo direitinho o valor que as coisas têm, pensei no futuro e soltei, fulminante e lógico:

- Então veja quanto custa o presente do ‘Clau’ e me compre o mesmo valor em bolas…

Obs.: Hoje, aos 42 anos, com o corpo bem diferente de quando eu era adolescente, já não me inspiro mais a pedir bolas de futebol. Agora, nem preciso pedir e já me presenteiam com livros sobre o assunto.

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