30/07/2015 às 10h25min - Atualizada em 30/07/2015 às 10h25min

Lucinei Campos

Escritor

Thiago Santos

 Thiago Santos: Quem é o ser humano Lucinei Campos ?

 Lucinei Campos: É alguém apaixonado por criar. Criar mundos, personagens e suas complexidades. Alguém que carrega um vazio tão grande que vive buscando novos para  preenchê-lo.

 

 Lucinei?

 Só o que sinto explica o que faço.

 

 E a arte da escrita lhe era familiar desde seus primeiros anos de vida?

 Desde menino sempre ouvi histórias criadas pelo meu pai. Ele tinha um dom em contar, misturar as histórias existentes. Então, comecei a criar os meus mundos e personagens através de desenhos. Me refugiava nos meus mundos. Com o passar dos anos, modificando o meu traço, pude então escrever as histórias e mostrar aos amigos e conhecidos.

 

 O menino se fez homem e no todo deste processo o amor pela escrita se fortaleceu?

 A escrita ganhou espaço quando o traço de menino passou a querer narrar histórias fora do padrão mais comum. Certa vez criei uma história que anos mais tarde vi um filme que tinha a base dela. Fiquei feliz e ao mesmo tempo chateado. Era uma criação parecida com a minha que alguém acreditou e fez virar filme. E chateado por não ter sido a minha. Por esta razão comecei a criar as minhas histórias com a escrita, algo mais acessível. Mesmo que ainda não venhamos ser um povo que ler, consideravelmente ao menos, estamos caminhando.

 

 O quanto é importante se dedicar aos estudos principalmente naquilo que se ama?

 Sempre tive uma mente inquieta. Só quando adulto descobri que sou disléxico, talvez por esta razão também sempre consegui fazer mais de uma coisa ao mesmo tempo. Leio vários livros, escrevo vários e ainda pude me dedicar ao cinema, teatro, faculdade, banda e escrever. Acredito que quando nós amamos algo, temos o dever de nos entregar. Mergulhei em muitos rios e lagos, mas no momento quero mesmo ficar com a literatura que é o um desafio no Brasil e para mim.

 

 Sua graça leciona sobre Contos e Cultura Celta?

 Fiz alguns cursos especializados na faculdade de história, na qual sou formado a respeito de Contos de Fadas, Celtas e bretão. Quando fui escrever Lavínia e a Árvore dos Tempos, pensei em fugir dos padrões modernos e originais dos contos, que não são feitos com todo amor para as crianças. Desta maneira, criei um conto para narrar para o meu filho, amigos, e quem mais quiser viajar na minha mente. Eu chego a fazer palestras nas escolas onde sou convidado e feiras. Faço por amor, pois gosto de comparar o nosso folclore com a diversidade internacional. Até mesmo em meu livro eu faço esta junção, pois junta o folclore com criaturas conhecidas mundialmente.

 Em sala de aula, leciono para o ensino médio e fundamental, o assunto é bem aceito, pois desde cedo estas histórias estão em nosso imaginário, seja ele de uma forma mais universal ou particular. Nos perguntamos de onde viemos e para onde iremos, o sol e as estrelas. Perguntas básicas do ser humano. E infelizmente parte da aceitação por este tipo de matéria nos é cedido pelo preconceito com o que é nosso. É mais fácil aceitar deuses gregos, nórdicos que entidades mais próximas como orixás.

 

 E o sonho que nasceu na infância se realizou?

 Lavínia e a Árvore dos Tempos é parte de um grande sonho. A cada dia vejo pessoas falando da obra, me procurando para dizer o que achou e gostou dos personagens. Quando vou em algumas escolas, chego lá e encontro desenhos, pinturas e histórias com a Lavínia. Sim, de fato parte do sonho tem se realizado, mas sou grande demais e meus mundos infinitos enquanto vivo. Ainda há outros projetos.

 

 Compartilhe conosco o que sentiu ao olhar para a capa do livro já concluído e ver nela seu nome como autor daquela obra!

 É um sentimento indescritível. Lembro-me de quando chegou a “boneca” do livro, pois é assim que chamamos a amostra que tenho até hoje. Foi uma coisa linda. A capa, o meu nome que prezo tanto por sentir em levar o meu pai junto comigo. Foi magnífico.

 

 Qual o grande objetivo de sua obra?

 Quebrar paradigmas. O enredo é diferente de tudo o que se viu sem tornar-se em algo afastado das pessoas. Pretendo levar para os leitores um mundo maravilhoso da fantasia ocorrendo próximo a eles. Cidade, país e nossa realidade.

 

 Lavínia representa quem?

 Sim. Fisicamente é baseada na minha esposa. Negra, cabelos cacheados. Mas a personalidade, desafios e rotina é a minha quando tinha a idade dela. Tirando a fada e as criaturas mágicas que ela encontra, as perseguições eram exatamente as mesmas.

 

 E a fada Laus?

 Laus, o ser mal e mais rabugento que uma menina poderia ganhar. Bom, ele também sou eu. Eu gosto de brincar em dizer que todos os personagens é um lado meu. Tem dia que odeio ser receptível, conversar, sou irônico. Este sou eu sendo Laus. E tem vezes que sou mais divertido, aventureiro, louco. Este sou eu sendo Léo.

 

 Se importa em expressar palavras que se tornem sinônimo de inspiração para o amigo leitor que também deseja viver em prol da arte? E também uma frase que seja capaz de descrever o que você sente por fazer algo que muito ama?

 A arte, não importando a sua ramificação, é algo lindo, pois é um sentimento. É a expressão dos sentimentos. Se deseja se expor, revelar-se como a um livro, deve ser sensível e revelar-se por inteiro.

 Uma frase? Bom, desde os meus dezessete anos eu tenho respondido as minhas paixões da seguinte maneira: “só o que sinto explica o que faço.”

 

 Para finalizar nos fale dos seus projetos atuais e futuro!

 Hoje estou trabalhando com o livro Lavínia e a Árvore dos Tempos, o qual tem me trazido muita alegria. E na revisão do segundo livro da série, que sairá ainda este ano. Lavínia vai se transformar em peça de teatro. Um novo livro romance policial é o Anjos do Olimpo, com aventura e fantasia com a base de que os deuses gregos um dia foram anjos. E um terceiro trabalho é o Eu Odeio Jonas. Que foi divertido escrever o livro de um jovem que odeia o tal Jonas e passa o livro para entender o motivo. Para este ano virá a continuação da Lavínia e para o ano que vem Anjos do Olimpo, Eu Odeio Jonas. Estes são meus bebês no momento. E a Bienal do Livro no Rio, que estaremos lá para divulgar o nosso trabalho e se der tempo o segundo livro da série.

 

 

 

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