02/07/2015 às 18h00min - Atualizada em 02/07/2015 às 18h00min

Carla Buarque

Atriz

Thiago Santos

 Thiago Santos: Quem é o ser humano Carla Buarque?

 Carla Buarque: Alguém que ainda acredita na humanidade e que, acima de tudo, crê na arte como forma de transformação e sensibilização da sociedade. Acho que é isso o que falta a todos nós. Nos adaptamos ao mundo no sentido negativo. A gente se adaptou a ver o sofrimento do outro e não fazer nada. E quando digo “o outro” não me refiro somente às pessoas, me refiro também aos animais e à natureza como um todo. Nos adaptamos a ver empresas poluindo, animais sendo explorados e maltratados, rios assoreados, mata devastada e tantos outros males. Infelizmente nos tornamos insensíveis às dores do mundo e isso nos deixa inertes, sem nada fazermos para melhorar a situação do planeta. A arte é capaz de transformar tudo isso! E ainda tem as questões sociais e políticas . Nada melhor do que a arte para ajudar a derrubar preconceitos, por exemplo.

 

 Sempre gostou da arte e literatura mesmo tendo pouca idade?

 Sim, mas não tinha consciência de que aquilo era mesmo arte e literatura. Meu avô costumava me levar em museus e exposições, eu amava! Ele era um homem muito inteligente, porém humilde. Não fazia o tipo intelectual, mas eu o via lendo livros e jornais, estudando mapas, acabei me interessando também. Quando aprendi a ler, devorava os livros. Lembro que quando li Machado de Assis pela primeira vez eu não sabia quem era e qual a importância daquele autor. No colégio tive uma professora de literatura, Silvana Santoro, que foi essencial na minha formação cultural. Foi com ela que aprendi a importância dos grandes autores e conheci textos clássicos. As aulas dela eram verdadeiros espetáculos!

 

 Sua mãe tinha uma frase definida diante algo que você fazia!

 “Você engole os livros”. Ela sempre me dizia isso porque me comprava um livro novo, eu me trancava no quarto e quando acabava, pedia outro. Então ela me dizia para ler devagar porque ela não podia comprar um livro novo todos os dias.

 

 Seguir o caminho da arte teve como inicio na fase da adolescência?

 Acho que não. Demorei para entender que eu poderia trabalhar com arte, fui plateia por muito tempo. Na minha cidade não tive muito contato com o teatro. Na adolescência viajava para a casa de uma tia no Rio de Janeiro e ela gostava muito de teatro. Passávamos as férias assistindo à muitos espetáculos. Mas naquela época acreditava ser tão impossível me tornar atriz, parecia uma realidade tão distante, que não permiti que esse desejo fosse despertado. Depois a vida acabou me levando por outros caminhos e me tornei bancária.

 

 História do Teatro no Brasil?

 Tenho um verdadeiro fascínio! História em geral é algo que me fascina, mas História do Teatro no Brasil é como se eu resgatasse a minha própria história. A própria história do teatro em São Paulo, com os imigrantes italianos, isto é também a minha história. Venho de família italiana que chegou aqui no Porto de Santos para trabalhar nas fazendas do interior do estado e me pego sempre imaginando como era aquela época. História é nossa essência, faz parte de quem somos. Isto no micro e no macro também. Se perdermos a história da nossa família, da nossa cidade, da humanidade, como vamos nos compreender? Infelizmente, a História do Teatro no Brasil demorou muito para ser resgatada e poucas pessoas se dedicaram a isso, o que torna minha admiração por elas aind a maior. Procuro fazer todos os cursos que a cidade oferece, em especial os do Centro de Formação e Pesquisa do SESC que sempre traz os melhores professores da área e  pretendo fazer licenciatura em Arte-Teatro para me dedicar também ao âmbito acadêmico.

 

 Imagino que seu primeiro personagem lhe proporcionou sorrisos que nem a própria “eternidade poderá apagar” tal felicidade de seu coração?

 Nunca vou conseguir encontrar palavras para definir a sensação da primeira vez que pisei no palco. Foi como se uma voz interna me dissesse “seu lugar é aqui”. É mágico e só quem é ator pode entender o que quero dizer. A energia da plateia, o palco, a coxia, tudo tem uma vibração especial; é quase uma outra dimensão.

 

 Espetáculo “Enquanto Isso”?

 Foi meu primeiro espetáculo e foi muito significativo para mim. Era minha primeira vez no palco e eu vinha de um momento de muita fragilidade. O espetáculo foi uma adaptação do nosso também diretor, Niveo Diegues. Era uma colagem de vários textos e foi muito bem montado. Uma rádio dava o fio condutor para as histórias que eram ora tristes, ora engraçadas, ora politizadas; o que permitia despertar diferentes emoções na plateia.

 

 Na TV, participou de um quadro humorístico?

 Foi um quadro para o programa Luciana By Night, da Rede TV. Gravei com o ator e humorista Diogo Portugal, que foi muito querido na gravação.

 

 E o sucesso em sua carreira se tornou patente?

 Ah não, de forma alguma. Ser ator no Brasil é matar um leão por dia, e ser ator no Brasil sem um “padrinho”, alguém que te indique, um diretor amigo, é mais difícil ainda.

 

 Novela?

 Gravei uma pequena participação na nova novela do SBT, Cúmplices de um Resgate que está prevista para ir ao ar em agosto deste ano. Confesso que eu nunca me imaginei gravando uma novela, não gostava, mas depois dessa experiência passei a gostar bastante.

 

 Qual a importância da Cia Curanista em prol de sua arte nos dias de hoje?

 A Curanista foi um encontro. Curanista é a “cura através da arte”, exatamente o propósito que eu emprego na minha arte.

 

 Sua graça também assina uma “Coluna”?

 Sempre gostei muito de escrever e já tive dois blogs. Há um tempo eu abri um terceiro blog que ficou meio abandonado. Um dia vi a oportunidade de ter uma coluna no site “Atores da Depressão”, muito conhecido por sua página no Facebook e mandei um email com um texto meu. Eles gostaram e assim nasceu a “Coluna de Quinta”, onde todas as quintas-feiras eu trato de temas que se relacionam com as artes dramáticas e o dia-a-dia do ator.

 

 Para finalizar nos fale dos seus projetos atuais e futuro!

 Atualmente, estou em cartaz com o espetáculo “Aruanda – A Terra Prometida”, no Teatro Habitart, da Cia Curanista. Este ano, como disse há pouco, vou prestar licenciatura em Arte – Teatro pela UNESP e pretendo cursar no próximo ano. Também tenho despertado um interesse grande pela linguagem do cinema e vou me aprofundar na área para, quem sabe, atuar em um longa.

 E continuo trabalhando com publicidade e TV, conforme as oportunidades aparecem. Quem quiser acompanhar meus trabalhos e novos projetos é só curtir minha página do Facebook – Carla Buarque – ou pelo Instagram - @carlabuarque14. E todas as quintas feiras estou lá no Atores da Depressão com a “Coluna de Quinta”

 Também gostaria muito de te agradecer pela entrevista e ser tão gentil. Obrigada!

 Meus Contatos,

Coluna de Quinta:

http://atoresdadepressao.com/coluna-de-quinta/

Facebook:

https://www.facebook.com/pages/Carla-Buarque/802125819857835?ref=hl

Instagram:

@carlabuarque14

 

 

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